Que Getúlio Vargas foi “O” Presidente do Brasil, isso ninguém discute. Que ele ainda influencia a política brasileira, também sabemos. Mas e na vida particular de cada um? Será que Getúlio Vargas teve ou tem alguma influência?
Vejam meu caso.
Num segundo dia de Páscoa, naquele tempo se respeitava a Quaresma, do ano de 1954, meu pai conheceu minha mãe, num baile de sociedade, lá na Boa Vista da Romana, no interior de Três Passos. Devia ser mês de abril daquele ano. Dançaram umas marcas, tomaram umas gasosas na mesa, quem sabe, uma cervejinha, encontraram-se duas ou três semanas depois, e mais umas quatro vezes, no máximo, e, eis que chega o fatídico 24 de agosto de 1954.
Daí todo mundo sabe o que aconteceu no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Os cronista e escritores têm se debruçado sobre esse assunto. Mas não é o que me interessa neste momento. Estou puxando uma história bem pessoal.
Pois bem, O Getúlio se suicidou; e foram decretados seis meses de luto oficial. Imaginem a tristeza do rapaz, que, no futuro, viria a ser meu pai, e da moça, minha futura mãe! A diversão na colônia já era pouca, nem televisão existia. Seis meses sem festas, sem bailes e sem nada de ajuntamentos esfriaram o namoro.
Segundo dia de Páscoa, do ano de 1955. Baile na Bela Vista, e o namoro reinicia “prá valer”, como há de se constatar. Seria muito azar se o Vice-Presidente se suicidasse e, assim, seriam mais seis meses de sofrimento. Ainda bem que naquele ano nada de anormal aconteceu. Ainda bem!
Após um ano de namoro, o noivado aconteceu em 1956. Julho de 1957, o casamento, com churrasco, foguetório e tudo mais. E, em abril de 1958, nasce este vivente.
Vejam só, se o Getúlio não se tivesse suicidado, eu teria nascido um ano antes.
Será? Ou quem sabe eu seria outro?
Esse Getúlio!