Quando eu tinha 15 para 16 anos, estava na 8ª série do Ensino Fundamental, no Colégio Rio Branco, escola da rede Cenecista, em Padre Gonzales, Três Passos, isso em 1974, escrevi uma “composição” – assim que se chamava o que hoje é redação- sobre a tecnologia e o futuro.
Lembro bem, foi uma editora, dessas que iam aos colégios vender enciclopédias, com vendedores falantes e volumes ilustrados, tentando nos convencer a comprar uma coleção. Fizeram então um concurso de “composição” por séries e eu fui premiado. Ganhei uma pequena coleção de livros que depois, no ano seguinte já sem ir à aula, li toda.
O tema da escrita futuro e tecnologia, obviamente remetia, numa palestra inaugural, à importância do estudo e da leitura. Daí vender enciclopédias era, supostamente mais fácil. Venderam pouco, penso eu. Éramos na maioria descendentes de pequenos agricultores de poucas posses e necessidades primárias muitas vezes não satisfeitas. Além do mais, manejar bem uma enxada era mais importante que manejar a caneta. Com a enxada os filhos ajudavam na roça e produziam alimentos. Na aula, com o lápis e a caneta, não produziam nada, só matavam tempo e ainda gastavam energia, ou ficavam sem dormir, a aula era noturna, estando cansados noutro dia para faina. Era o pensamento predominante e muito ouvi essas opiniões.
Pois bem. Eu nessa época tive que extrair alguns molares, mais um reflexo na saúde, da cultura de então e do local e, exercitei o “chá de banco” por algumas vezes a sala de espera do dentista. Talvez não tenha sido em vão, pensando agora. Li e reli algumas revistas antigas e manuseadas, sempre desatualizadas, na ante sala do doutor. Lembro da revista Cruzeiro, colorida, com muitas fotos e alguns textos, para mim – guri, extraordinários. Apesar da anestesia e do fórceps, que me esperavam na cadeira em seguida, conseguia me concentrar na leitura.
Numa dessas edições li sobre computadores. O texto falava em cibernética. Achei de uma beleza essa palavra, hoje em desuso. Discorria sobre máquinas extraordinárias, que faziam cálculos matemáticos complexos em milionésimos de frações de segundos! Depois criaram a medida: nanosegundos! Inimaginável para mim. Comunicação digital, fibras óticas, ou seja, uma ficção total para um filho de “colonos” impressionado.
Usei isso na minha “composição” e talvez tenha sido o motivo do prêmio. Ainda lembro de minha mãe me perguntar – onde tu aprendes isso? Pelo menos a ela impressionei. Claro que fiz mistério, tal qual meus filhos fazem hoje comigo quando pergunto sobre big date, inteligência artificial e outras tecnologias mirabolantes.
Faço uma figura de linguagem das novas tecnologias com o arco íris. Eu cresci acreditando que na extremidade da faixa colorida que se forma no horizonte, resultante da luz solar decomposta na atmosfera úmida, onde as “sete” cores que vemos, deve-se a condições de densidade, velocidade, comprimento de ondas, etc (estraguei toda poesia), havia um pote de ouro.
Muitas vezes corremos, eu e meus irmãos, tentando alcançar a ponta do arco íris, mas ele sempre estava diante de nós, mais para frente, no horizonte que se movia. E assim ocorreu e ocorre durante toda minha vida. Quando tenho notícias de alguma inovação, ela está no horizonte que se move e se afasta na medida em que tenho me aproximar. Comparado com meus filhos custo entender novas tecnologias, e quando as entendo, há outras mais recentes e inovadoras substituindo ás tangíveis.
Não vou desistir tão fácil. Ainda acredito que o futuro e a felicidade está ao nosso alcance.
– Está na linha do horizonte!